terça-feira, 28 de junho de 2011

111 de 100... tão perto e ao mesmo tempo não mais perto e tão distante quanto os outros 200 que também ficaram.
É assim mesmo: quem vai, vai; quem não vai, fica. Só me resta sorrir triste e agradecer a Ferreira Gullar pelo poema:

VESTIBULAR

Paulo Roberto Parreiras
desapareceu de casa
trajava calças cinza e camisa branca
e tinha dezesseis anos.
Parecia com teu filho, teu irmão,
teu sobrinho, parecia
com o filho do vizinho
mas não era. Era Paulo
Roberto Parreiras
que não passou no vestibular
Recebeu a notícia quinta-feira à tarde,
ficou triste
e sumiu.
De vergonha? De raiva?
Paulo Roberto estudou
dura duramente
durante os últimos meses.
Deixou de lado os discos,
o cinema,
até a namoradinha ficou sem vê-lo.
Nem soube do carnaval.
Se ele fez bem ou mal
não sei: queria
passar no vestibular.
Não passou. Não basta
estudar?
Paulo Roberto Parreira
a quem nunca vi mais gordo,
onde quer que você esteja
fique certo
de que estamos do seu lado.
Sei que isso é muito pouco
para quem estudou tanto
e não foi classificado (pois não há mais
excedentes), mas
é o que lhe posso oferecer: minha palavra
de amigo
desconhecido.
Nessa mesma quinta-feira
em Nova York morreu
um menino de treze anos que tomava entorpecentes.
em S.Paulo, outro garoto
foi preso roubando carros.
E há muitos que somem
ou surgem como cometas ardendo em sangue, nestas noites,
nestas tardes,
nesses dias amargos.
Não sei pra onde você foi
nem o que pretende fazer
nem posso dizer que volte
para casa,
estude (mais?) e tente outra vez.
Não tenho nenhum poder,
nada posso assegurar.
Tudo que posso dizer-lhe
é que a gente não foge
da vida,
é que não adianta fugir.
Nem adianta endoidar.
Tudo o que posso dizer-lhe
é que você tem o direito de estudar.
É justa sua revolta:
seu outro vestibular.
                      Ferreira Gullar

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Foda-se o texto mal escrito. Vale mais a ideia

Sinceramente, é de uma tremenda covardia o Ministério Público da Bahia proibir a marcha na véspera data para qual essa estava marcada já a muito tempo, não dando espaço para a discussão e debate sobre o assunto.
O MP-BA demonstra a mesma truculência com a qual agiu ano passado ao agir da mesma forma. Não é coincidência. 
Acreditem. Um dia nós ainda vamos mudar a forma como se tomam as decisões nesse país. Um dia ainda terão que enfrentar a coragem e a convicção da sociedade brasileira lutando pelo que acredita ser correto. E acredite, não vai haver burocracia que impeça que a justiça finalmente seja feita e nossos direitos finalmente respeitados.
O MP não representa a sociedade baiana de forma alguma. Os hospitais públicos, a educação, a cidade de Salvador parecem ser temas menos importantes do que a proibição Marcha, direito que me foi concedido na constituição de 1988, a Constituição Cidadã pela qual tantos deram suas vidas. É essa mesma constituição que hoje foi desrespeitada mais uma vez.
Penso: se estivéssemos a 30 ou 40 anos atrás, será que a atitude seria diferente? Será quês as pessoas que dirigem o Estado e me representam e por mim lutam, eleitas ou não, seriam diferentes? Como um órgão pode lutar por mim se ele não me escuta e, inclusive, me força a calar a boca? As respostas a que chego não me animam. Penso no poeta baiano Gregório de Matos que teve sua Boca do Inferno calada, isolada. Penso em outro poeta, Caetano, que com a mesma Boca também estes versos cantou e que também foi calado e me surpreendo como estes versos continuam sendo tão atuais e verdadeiros.

“Triste Bahia...”
                    Gregório de Matos, Caetano Veloso, Gustavo Lima O’Dwyer e toda a Sociedade Baiana

sexta-feira, 20 de maio de 2011

\o/

... essa foi a única reação que tive quando vi esse vídeo. Mesma reação foi compartilhada por Dri :)


sexta-feira, 6 de maio de 2011

...poesia dos sentidos

Gostaria de deixar bem claro que esse texto não é meu, mas é um dos mais belos poemas que eu já li em minha vida e, por isso mesmo, eu gostaria de compartilhar ele aqui.
É um texto de uma grande amigo que o tempo afastou, um verdadeiro exemplo.
A leitura é bem difícil, pelo menos para mim, por causa das lágrimas que enchem os olhos e embaçam a visão.

Com vocês: Ewerton Lacerda e a... 

...poesia dos sentidos

Olhos se fecham,
Se vão
Se perdem  na incompreensão,
Choram
Mas sao eternos.

Bocas se calam,
Metem
Beijao loucamente,
Morrem
Mas deixam palavras para o sempre.

Ouvidos sao surdos,
Burros
Fingem nao escutar,
Zumbem
Mas ouvem palavras que não vão acabar.

São os sentidos
Do prazer
Do viver
Do morrer
Do partir
Do sorrir,
Do amar, sim do amar
Que nos enganam
Que nos fazem acreditar,
Que nos deixam assim chorados, apaixonados
Ao ver mais um cego nos deixar
Mais um mudo
Um surdo
Um sentido, enganado, mas amado,
O sentido de quem ama, que se engana
Que não se importa em chorar.

Foi lindo ver o sentido não morrer,
Não esconder, a verdadeira incerteza
Foram surdos, mudos e cegos
Enfim foram eternos,
Pois são assim que eles são.

São eles vivos,
Os sentidos
O amar
O falar
O chorar,
o não deixar de acreditar
que olhos são eternos,
que bocas só falam o inesquecível
e que ouvidos só ouvem o que não vai acabar,
só sabe quem ama,
quem se engana,
na verdade,
 da mais pura verdade
enfim quem sabe que sentir é eterno.

Por Ewerton Lacerda,
Dedicado a Gustavo O’Dwyer
Em homenagem àqueles que merecem estarem juntos.
20/06/09

E eu agradeço 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

desespero do desabafo

        Minha existência é rasa
     Apesar do sentimento profundo
           Minha filosofia barata segue
         Sempre sem rumo
       Sigo no mundo sempre com
      Textos imundos ideias cruas de
            Expressão superficial
             É assim que sou. Um mero animal
              Que não aproveita seu pouco potencial
             Seguindo num ciclo fatal
                 Em busca do momento final
                  Escrevendo sua pobre poesia
                      Exclusivamente VISCERAL

segunda-feira, 28 de março de 2011

Inocência/Ilusão

        A inocência traz a ilusão. A princípio vem fraca, vem como uma dúvida ou impressão. A cada contato, olhar ou sorriso ela aprofunda-se mais no peito, no espaço deixado por um suspiro
        A inocência é tanta que a ilusão se torna certeza, certeza, inclusive, de que não há mais volta. Vai-se atraído pelo perfume, movido pela certeza, assustado pela beleza e corroído de ciúme e dá-se um salto em direção ao vazio. Em meio à escuridão abrem-se os olhos. Não há luz, é só escuridão, era só ilusão.
        A inocência torna a queda cada vez mais longa. Cai-se divagar, porém vertiginosamente. Quando finalmente chega-se ao chão, e tem fim a ilusão, levanta-se dolorido e caminha-se para sempre marcado na carne e na emoção.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Amava uma daqui
E amava uma de lá
Amava e não sabia
Qual delas deveria amar

O amor de uma d'alí
Eu dei pra uma de cá
Amava e não sabia
Se ainda amava a de lá

A daqui, a d'alí e a de lá
Mais uma cá, mais uma aí
E uma outra acolá

Cuidado a me deixar amar
Pois se assim o fizer
Eu amo uma em cada lugar